SP Audiovisual Hub

O FUTURO É ANCESTRAL

CURADORIA: CAROLINA CAFFÉ, KEREXU MARTIM GUARANI E EDIVAN GUAJAJARA

A programação gratuita reuniu 11 filmes atuais dirigidos por cineastas indígenas de diferentes regiões do país, entre os povos Guarani, Kuikuro, Huni Kuin, Yanomami, Munduruku, Tukano, Tupinambá, Ikpeng e Guajajara. 

Após a exibição, aconteceram debates com realizadores, protagonistas e lideranças: Beka Munduruku, Edivan Guajajara, Oremé Ikpeng, Kerexu Martim, Richard Wera Mirim Guarani, Natália Tupi, Jera Guarani, Txai Surui, Thiago Guarani, Larissa Tucano, Beatriz Pankararu e Geni Núñez.

As exibições aconteceram na FAAP – Auditório 1
Fundação Armando Alvares Penteado (R. Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo – SP)

13/07/2025 - Domingo | Sessão 1 - 12h

MÃRI HI – A ÁRVORE DO SONHO

Boa Vista, TI Yanomami, 2023, 17’
Direção: Morzaniel Ɨramari
Etnia: Yanomami

 

Sinopse
Quando as flores da árvore Mari desabrocham, surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

MINHA CÂMERA É MINHA FLECHA

SP, TI Jaraguá, 2023, 22’
Direção: Natália Tupi e Guilherme Fascina
Etnias: Guarani | Tupinambá

 

Sinopse
Richard Wera Mirim é um jovem Comunicador Indígena do Povo Guarani Mbya da Terra Indígena Jaraguá, território que ainda resiste às margens da Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. O filme traz um pouco de sua trajetória, aliada à força do audiovisual e do uso das redes sociais na luta e resistência indígena. Mostra a câmera como uma flecha, uma ferramenta de comunicação poderosa, uma arma para registrar e retratar, com o olhar de quem vivencia a cultura, os conhecimentos, os territórios e demais aspectos dos povos originários pelo direito de existir.

SOMOS RAÍZES: GUARDIÕES DA FLORESTA

Maranhão, TI Araribóia e Caru, 2023, 14’
Direção: Edivan Guajajara
Etnia: Guajajara

 

Sinopse
Videorreportagem de Edivan Guajajara traz a realidade dos que lutam pelo território Tenetehara no Maranhão: os Guardiões da Floresta do povo Guajajara. Eles são reconhecidos mundialmente por seu trabalho em defesa da mata remanescente na porção amazônica do Maranhão - menos de 20% da cobertura original. Na Terra Indígena Araribóia e na Terra Indígena Caru, onde o grupo de autodefesa reúne cerca de 120 indígenas para proteger o território, os Guardiões expulsam madeireiros e outros invasores às vezes pagando com sua própria vida.

Bate-papo após a exibição: Edivan Guajajara & Richard Wera Mirim Guarani | Mediação: Beatriz Pankararu

13/07/2025 - Domingo | Sessão 2 - 15h

A FEBRE DA MATA

Mato Grosso, Parque Indígena do Xingu, 2022, 10’
Direção: Takumã Kuikuro
Etnia: Kuikuro 

 

Sinopse
O pajé e sua família saem para pescar. Durante a pesca uma onça se aproxima e começa a esturrar assustada em busca de ajuda. Seu grito é um alerta. O pajé retorna imediatamente para a aldeia e alerta seu povo do perigo que se aproxima. Ele busca força espiritual na pajelança à medida que sua preocupação cresce. O fogo invade a floresta os animais fogem em busca de abrigo mas muitos não resistem e morrem. A floresta arde em chamas e depois a seca é extrema

THUË PIHI KUUWI: UMA MULHER PENSANDO

Roraima e Amazonas, TI Yanomami,  2023, 9'
Direção: Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami, Roseane Yariana Yanomami
Etnia: Yanomami

 

Sinopse
Uma mulher yanomami observa um xamã durante o preparo da Yãkoana, alimento dos espíritos. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a Yãkoana que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs adentrarem o mundo dos espíritos também propõe um encontro de perspectivas e imaginações.

AGUYJEVETE AVAXI’I

SP, TI Tenondé Porã, 2023, 21’
Direção: Kerexu Mirim 
Etnia: guarani

Sinopse
O documentário celebra a retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani M’bya na aldeia Kalipety, onde antes havia uma área seca e degradada, consequência de décadas de monocultura de eucalipto. Considerado como um dos verdadeiros alimentos que os seres divinos possuem em suas moradas celestes, o milho passa por rituais e bênçãos desde o plantio até a colheita, quando a aldeia se junta para festejar. Comê-lo mantém a vitalidade dos seres humanos em equilíbrio, à semelhança das divindades.

Bate-papo após a exibição: Keretxu Martim & Jera Guarani | Mediação: Txai Surui

13/07/2025 - Domingo | Sessão 3 - 17h

RAMI RAMI KIRANI

Acre, TI Praia do Carapanã, 2023, 34’
Direção: Lira Huni Kuin 
Etnia: Huni Kuin

 

Sinopse
Até pouco tempo, as mulheres Huni Kuin não podiam consagrar e preparar o Nixi Pae (ayahuasca), apenas os homens conheciam o poder dessa medicina. Um filme sobre os aprendizados, as transformações e a força da ayahuasca através das mulheres Huni Kuin. Realizado durante a oficina de formação audiovisual e direitos das mulheres indígenas na Aldeia Mibãya, na Terra Indígena Praia do Carapanã, Acre.

NHEMONGARAÍ - ONTEM, HOJE E AMANHÃ

São Paulo, TI Jaraguá, 2023, 13’
Direção: Natália Tupi e Richard Wera Mirim
Etnia: Guarani e Tupinambá

 

Sinopse
O filme é um mergulho na noite de 24 de janeiro, que é quando acontece, anualmente, o Batismo das águas na Tekoa Pyau, Terra Indígena do Jaraguá em São Paulo. O documentário é narrado pelo xondaro Michael Tupã Popyguá, jovem liderança do território e traz a importância de repassar a cultura e ancestralidade de geração para geração. O filme também é uma homenagem ao Xeramoi Alísio Tupã Mirim, que partiu um mês após as filmagens.

WEHSE DARASE - TRABALHO DA ROÇA

Amazonas, comunidade indígena Taracuá, 2017, 23’
Direção: Larissa Tukano 
Etnia: Tukano

 

Sinopse
O documentário foi produzido durante as Oficinas de Audiovisual para Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O filme apresenta, de maneira íntima e subjetiva, as relações geracionais no contexto das roças que compõem esse sistema agrícola, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A obra destaca a importância da agricultura tradicional para a identidade e a sustentabilidade das comunidades indígenas do Rio Negro, evidenciando práticas ancestrais e saberes transmitidos entre gerações

Bate-papo após a exibição: Natália Tupi & Larissa Tukano | Mediação: Thiago Guarani

13/07/2025 - Domingo | Sessão 4 - 19h30

YARANG MAMIN

Mato Grosso, TI Xingu, 2020, 21’
Direção: Kamatxi Ikpeng 
Etnia: Ikpeng

 

Sinopse
Yarang Mamin é um mergulho no dia a dia das mulheres do povo Ikpeng que coletam sementes nativas no Território Indígena do Xingu (MT). As coletoras criaram o Movimento das Mulheres Yarang e ao longo de uma década coletaram 3,2 toneladas de sementes florestais, o que possibilitou o plantio de cerca de 1 milhão de árvores nas bacias do Rio Xingu e Araguaia. Um respiro em meio à devastação que corrói o que resta de floresta.

MUNDURUKUYÜ - A FLORESTA DAS MULHERES PEIXE

Pará, TI Sawré Muybu, 2022, 72'
Direção: Coletivo Daje Kapap Eypi
Etnia: munduruku

Sinopse
Nas margens do Tapajós, no Pará, a floresta das mulheres peixe espelha a mitologia Munduruku, onde humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais. No dia-a-dia da aldeia Sawre Muybu, os espíritos da floresta não são apenas forças espirituais ancestrais, mas parte da família.

Bate-papo após a exibição: Oreme Ikpeng + Beka Munduruku | Mediação: Geni Núñez